26/06/2009

Pequenas Epifanias

Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.

Caio Fernando Abreu

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

(Publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, 22/04/1986)

15/06/2009

Custe o que custar



Minha overdose CQC no youtube (porque não sou fã de TV) passou pra um estágio mais avançado e eu estou (quase) pedindo penico porque, por exemplo, ontem fui dormir as 3 da madrugada por culpa desse programa.
Sim, fui "parar" no twitter do Rafinha Bastos e tinha esse vídeo traumatizante lá.
Sim, agora "following" o twitter do Rafinha. Eu ri.

http://twitter.com/rafinhabastos

08/06/2009

01/06/2009

Bobby's World

Série de desenhos animados que contava as aventuras de Bobby e sua família, lembra? Eu já tive um triciclo, que eu "chamava" velocípede. Tenho o meu lado "vendo o mundo a partir de minha (extraordinária) imaginação" também, quem não tem?

28/05/2009

Isto não é para fuso



PS: Perdi o original, de Homer, meu amigo.

25/05/2009

Explodiu!

É! Hoje foi a gota d'água!
Sabe quando vc acha que conhece alguém?... convive anoooos com ela... tem CERTEZA que conhece totalmente a pessoa... Até que um dia, a última gota d'água cai no copo e a água esborra de vez, vira o copo, derrama tudo! E aí sim, vc vê a verdadeira cara... A máscara cai... Vc desconhece completamente aquele alguém que vc jurava conhecer tão bem!

Acabou! Terminou de vez! Vc não é acessório de ninguém! Vc não tem um dono! Vc não é um animal que pode ser amarrado na perna da mesa pra que não fuja! Vc tem escolhas! Vc FEZ escolhas! E a pessoa tem que aprender a lidar com isso!

Vc se interessa por alguém (quase q finalmente!), tá tudo dando certo... Na verdade, tá tudo ÓTIMO pra vc! Vc está feliz!! Mas, aí vem esse alguém... faz um comentário... cria um clima estranho... e morga TUDO pra vc! Como ela quer q vc reaja?

Me esqueça! Esqueça q já fiz parte da sua vida! Siga sua vida como estou seguindo a minha... aliás, como estava TENTANDO seguir a minha até vc meter o nariz onde não foi chamado!
ACABOU! BASTA! Não existe nem irá existir mais nada! Aprenda a conviver com isso e não se meta mais na minha vida!


PS.: Desculpem, precisei usar o blog para um post pessoal... Algo que precisava 'sair'!

24/05/2009

porque na vida, beleza é fundamental


Atóóóron, né Rafa? :)

Chega logo julho, quero minhas aulas de violino pra ontem.

PS: campanha Rafaela Maria Teixeira, crie um twitter. ;)

Que livro você é?

EU sou..."A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

"Você (no caso: eu) é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo (é o tipo de pessoa hipoglós? quero não). Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos (é? sausiahsiua piadinha infame ¬¬). Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência (o que quiz dizer com isso? O.o). A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma (-_- Sim, mas isso não quer dizer que eu seja muito "julgadora" =T). Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.(Sem comentários)
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única (se eu tivesse UMA força DUPLA ou MULTIPLA... vou te contar...)."

->> http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml?perg=10 <<-

22/05/2009

Romantiquinho

[...]Dá vontade... Dá vontade de escrever uma carta! Toda "declarosa" e colocar no correio pra ele. E depois... Depois "sei lá": Escrever "eu te amo" no e-mail(e enviar), no msn(e clicar enter), no blog(e "confirmar" depois de escrever aquelas letrinhas pra ver se "você" é gente), na portadoarmário dele e no "pote" de sorvete de flocos comprado por mim e colocado no frezer da casa dele... Só não escreveria no orkut porque "aí" já seria demais("aham"... É esse o motivo sim).
Mas é sério: "do fundo do meu coraçao" - bem romantiquinho assim - eu queria e faria tudo isso até ele se assustar e dizer que tem medo do meu sentimento, que acha que "já" é loucura... Obsessão.

PS: A surpresa foi-se. Tenho que pensar em outra coisa (e não postar). Rs.